Mãe é eternidade. Então por que dói tanto quando ela parte?
Carlos Máximo perdeu sua mãe, dona Odália, a Morena, lavadeira analfabeta que criou oito filhos praticamente sozinha e nunca se desfez de nenhum deles, mesmo nas maiores privações. Aos 62 anos, ela partiu deixando um silêncio que nenhuma palavra comum alcança.
Quem já enfrentou o luto materno conhece esse vazio: a casa continua igual, o mundo segue, mas falta a única pessoa que era a última a dormir e a primeira a acordar para proteger. Não há manual para isso, e conselhos prontos não consolam.
Foi na madrugada que o poeta encontrou saída. Acordava e escrevia um poema praticamente após o outro, mergulhando em um processo catártico e terapêutico. Nas palavras dele: passar um pouco de tudo isso para a poesia foi algo que aliviou muito e deixou mais leve nesse contexto da perda. Assim nasceu Tons do infinito, com 39 poemas que atravessam amor, saudade, medo, fé e instantes eternizados. O autor faz questão de dizer que o livro não é só dele: esses sentimentos são de muitas pessoas que perderam alguém que amam muito. É uma obra plural.
Uma voz reconhecida na poesia brasileira contemporânea. Poeta, pedagogo e associado à UBE-GO, Carlos Máximo é autor de Além de mim, Os sonetos, Retratos d'alma e Sob a luz da lamparina, e recebeu a Medalha de Ouro do Concurso Cultural Capolat, o Prêmio Excelência do Centro Cultural Casa de Jorge Amado e o Troféu Darcy Ribeiro. A apresentação é de Luiz Puntel, que situa a obra ao lado da tradição de Quintana, Drummond, Cora Coralina e Adélia Prado. A revisora Flávia Carrara resume: perder uma mãe nos mostra a escuridão, mas nos faz ver a eternidade com outros tons.
Leia como os poemas foram escritos: no silêncio, com reverência. Se você perdeu sua mãe, ou quer oferecer palavras a quem perdeu, Tons do infinito é o livro para levar no colo. Baixe agora e deixe a saudade virar luz.